A tua história.
Lembro-me daquela noite como se fosse esta. Lembro-me do toque das mãozinhas dela, tão pequeninas, tão frágeis. Lembro-me do som da vida a querer fugir-lhe e da garra dela atrás da vida. Lembro-me do toque da buzina do Toyota Corolla do meu avô ao longo dos 5 minutos (ou foram 5 horas?) que demorámos entre o consultório da pediatra e o hospital de S.João. Memórias que resistiram, dolorosas, a todos os meus esforços desesperados de esquecimento. Durante semanas, a minha irmã lutou, guerreira como só ela, contra um vírus imundo que lhe ia corroendo o corpo e lhe tentava roubar a alma. Esse vírus imundo certamente desconhecia (só podia desconhecer, que outro motivo o poderia levar a alojar-se no corpo dela?) que a vida que ele tentava roubar era uma fonte inesgotável de alegria para muitas outras vidas. Filho da puta. Este bicho é um filho da puta - ouvi, tantas vezes, o meu pai chorar, baixinho, enquanto o bicho ia vencendo as batalhas contra a nossa pequena guerreira e a m...